Quando os judeus foram expulsos dos reinos de Castela e Aragão, em 1492, uma história judaica de muitos séculos na Península Ibérica foi violentamente interrompida. Mas os sefaradim não desapareceram. Levaram consigo suas tradições, sua liturgia, sua memória e suas línguas.
Um de seus principais destinos foi o Império Otomano, que recebeu grandes contingentes de refugiados. Nos séculos seguintes, importantes comunidades se estabeleceram em Constantinopla (atual Istambul), Salônica, Esmirna, Sarajevo, Sofia e Belgrado, além de outras regiões dos Bálcãs e do Mediterrâneo oriental. Outros sefaradim seguiram para o Norte da África, especialmente Marrocos e partes da atual Tunísia e da atual Argélia. Comunidades também se desenvolveram no Levante, incluindo Síria, Líbano e Terra de Israel
Foi nessa diáspora que sobreviveu e se desenvolveu o judeu-espanhol, também chamado de ladino ou judezmo. Derivado das variedades do espanhol faladas pelos judeus na Península Ibérica, continuou a ser transmitido por séculos longe da Espanha. Em contato com novas sociedades, incorporou elementos do hebraico, do turco, do grego, do árabe e de línguas dos Bálcãs. No Norte da África, uma de suas variedades ficou conhecida como haketía.
Na Turquia, durante séculos, o ladino permaneceu como língua comunitária dos judeus sefaraditas, perdendo espaço para o turco sobretudo no século XX. Ainda hoje há judeus turcos que o falam e iniciativas dedicadas à sua preservação.
O ladino também encontrou um novo lar em Israel com a imigração de comunidades da Turquia, da Grécia, dos Bálcãs e de outros antigos territórios otomanos. Hoje é uma língua ameaçada, com poucos novos falantes nativos, mas permanece viva em famílias, músicas, literatura e iniciativas culturais. Israel possui, inclusive, uma autoridade nacional dedicada à preservação da língua e da cultura ladinas.
Mais de cinco séculos depois de 1492, o ladino permanece como uma memória da diáspora que sobreviveu como língua.
By: JIMENA








