Na tentativa de administrar mais uma crise envolvendo Alexandre de Moraes, a Corte permitiu que seus próprios ministros entrassem num terreno até então quase proibido: o de expor publicamente as entranhas do tribunal, suas acusações, suas desconfianças e suas guerras internas.
Agora não adianta reclamar do incêndio.
Acenderam o fósforo dentro do depósito de gasolina.
Se André Mendonça pode ser colocado sob suspeita, Moraes também pode. Fachin também. Qualquer ministro pode. Afinal, numa República minimamente séria, toga não é salvo-conduto e cadeira no Supremo não transforma ninguém em cidadão acima da lei.
O problema é que durante anos criou-se uma espécie de pacto silencioso: divergiam por dentro, protegiam a instituição por fora.
Esse pacto parece estar ruindo.
E quando onze homens que possuem poder suficiente para interferir na vida política, econômica e institucional de um país começam a apontar o dedo uns para os outros, não estamos diante de uma simples disputa jurídica.
Estamos diante de uma crise de autoridade.
Pior: de credibilidade.
Porque chega uma hora em que não basta repetir solenemente “Estado Democrático de Direito” enquanto a população olha para Brasília e pergunta algo muito mais simples:
quem vigia aqueles que possuem o poder de vigiar todo mundo?
Abriram a porta.
Agora terão de atravessá-la.
Se querem investigação, que investiguem tudo.
Se querem transparência, que ela alcance todos.
Se querem responsabilidade, que a responsabilidade não termine na porta dos gabinetes do Supremo.
Porque depois que a primeira pedra é arrancada da muralha do corporativismo, ninguém controla qual será a próxima.
Talvez Fachin imagine estar administrando uma crise.
Pode ter acabado de institucionalizá-la.
E o Supremo corre o risco de descobrir, tarde demais, que o inferno que tentou manter do lado de fora...
sempre esteve dentro de casa.
Ou....
O PRINCÍPIO DO FIM
Instituições não morrem quando fecham suas portas. Morrem quando perdem a confiança daqueles que deveriam representar.
Quando ministros passam a desconfiar de ministros e a Justiça precisa explicar a própria Justiça, a rachadura já não pode mais ser escondida.
Não é preciso fechar um tribunal para destruí-lo. Basta destruir sua autoridade moral.
A toga ainda está lá.
A credibilidade é que começa a afundar na lama.
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ABRIRAM AS PORTAS DO INFERNO
Fachin pode não ter escrito com todas as letras que abriu uma investigação contra André Mendonça. Fez algo politicamente mais sofisticado: abriu a porta, mandou os en…
September 4, 2026 779 12