[RECURSOS POSSÍVEIS NO TPS DE LÍNGUA PORTUGUESA]
Pessoal,
Contrariando a tradição dos últimos anos, eu, [in]felizmente prevejo possibilidade de dois recursos em Língua Portuguesa.
1) TEXTO DO PADRE ANTONIO VIEIRA:
[RECURSOS POSSÍVEIS NO TPS DE LÍNGUA PORTUGUESA]
Pessoal,
Contrariando a tradição dos últimos anos, eu, [in]felizmente prevejo possibilidade de 2 [dois] recursos em Língua Portuguesa.
1) TEXTO DO PADRE ANTONIO VIEIRA
No trecho "A carne é como a de carneiro, e se fazem dela os mesmos guisados, que mais parecem de carne que de pescado", o segmento "de carneiro" vincula-se sintaticamente ao termo elíptico "carne" como adjunto adnominal [DISCUTÍVEL E AMBÍGUO], enquanto os segmentos "de carne" e "de pescado" vinculam-se sintaticamente ao termo "guisados" como predicativos do sujeito [ERRADO; NO LIMITE, AMBÍGUO].
Aqui, nem precisa voltar ao texto, pois há dois erros, um deles mais polêmico:
i) termo elíptico "carne" como adjunto adnominal — isso está ambíguo, pois outra interpretação possível [e mais lícita, gramaticalmente], é enxergar o "a" como pronome demonstrativo "aquela" — aqui, é mais polêmico, porque essa construção é geralmente seguida por uma oração relativa.
Segue "cola" do Houaiss, acima — a redação deixa dúvidas mesmo, porque o artigo definido raramente vem "solto" assim.
ii) os segmentos "de carne" e "de pescado" vinculam-se sintaticamente ao termo "guisados" como predicativos do sujeito
Há uma vinculação, isso é fato, mas a redação está muito frouxa, pois o sujeito ali é o pronome relativo "que", e não "guisados".
A vinculação, a meu ver é muito mais semântica do que sintática.
No limite, eu pediria a anulação, porque ficou impreciso, mas eu defendo o gabarito errado.
2) TEXTO DO ANTONIO CANDIDO
O texto expõe um paradoxo: a produção literária deve ser autônoma, ou seja, deve distanciar-se da realidade, para que lhe seja possível alcançar a representação efetiva do mundo, da natureza, da sociedade e do ser, que só assim podem ser experimentados pelo leitor como "realidades vitais".
Eu vejo um problema logo de saída: a produção literária deve ser.
i) o próprio Antonio Candido, no trecho, diz que vai apresentar ALGUNS CASOS
e
ii) não há nenhuma marca prescritiva-argumentativa; o texto do Candido, ali, quando ele explicitamente fala sobre "autonomia", não apresenta nenhum indício disso. O único adjetivo prescritivo que eu entrevi foi o "vital"
Essa tese de fato vai ser convalidada no livro [onde, inclusive, tem o maravilhoso ensaio "Dialética da Malandragem"], mas, pelo fragmento fornecido, eu vejo que dá para apelar, inclusive, para tipologia textual, em que o fragmento apresentado, no limite, vai mais pra dissertação expositiva do que propriamente argumentativa.
Além disso, a segunda parte dos ensaios vai para outra via, mas o melhor é insistir no fragmento mesmo apresentado.
Anulação muito parecida foi feita ano passado, no texto do Contardo Calligaris.
Sempre na torcida!
Abraços e beijos!