HAVIA CHANCES REAIS DE RESTAURAÇÃO DO TRONO?
Nos anos que seguiram à Proclamação da República, o Brasil mergulhou em um charco de incerteza.
Do outro lado do Atlântico, a Princesa Isabel, já exilada em terras francesas, observava com o coração dividido o destino da pátria que um dia governara.
O trono que perdera em 1889 — não por ambição, mas por um gesto de compaixão e justiça, a assinatura da Lei Áurea — ainda a chamava em sonhos. Petrópolis era um tema recorrente em seus diálogos, cuja saudade lhe consumia. E houve, por breves momentos, quem acreditasse que a coroa poderia voltar a brilhar.
Em seu refúgio no castelo d’Eu, a princesa acompanhava as notícias vindas do Brasil: revoltas militares, instabilidade política, perseguições. A nova República cambaleava, e em muitos lares — especialmente entre antigos abolicionistas e fiéis monarquistas — ressurgia uma nostalgia do Império, uma esperança de retorno.
O autor da obra que publicaremos descreve Isabel nesse período como “rainha sem trono, mas com fé inquebrantável”.
Cartas e emissários amigos cruzavam o Atlântico; discursos em clubes monarquistas pediam a volta de D. Pedro III, o filho da princesa. A imprensa republicana, inquieta, falava de “movimentos restauradores” e “conspirações legitimistas”. Em 1893 e 1894, durante a Revolta da Armada e outras crises do novo regime, os restauradores acreditaram que o Brasil poderia chamar de volta a dinastia dos Bragança.
Isabel, prudente e resignada, jamais apoiou levantes armados. Preferia — nas palavras do autor — “vencer pela oração e pelo tempo”.
Mas em seu círculo mais íntimo, animavam-se as conversas sobre o jovem herdeiro, D. Pedro de Alcântara, como símbolo de uma restauração pacífica.
Porém, a sorte do Brasil recaia em berço macabro de sociedades secretas: “O vento republicano soprou mais forte que a saudade da monarquia”.
A restauração fracassou antes mesmo de nascer. Tanto mais, a I Guerra Mundial e a enxurrada de tronos extintos sob os auspícios dos inimigos da Santa Igreja dissolveram as esperanças de restauração.
Os monarquistas estavam divididos; o povo, cansado; e o governo republicano, vigilante na manutenção de seu golpe. Campos Salles, presidente entre 1898 e 1902 desferiu um golpe covarde contra o movimento de restauração, fechando o Centro Monárquico que representava a causa de restauração e perseguindo quem ousasse levantar a voz contra o golpe militar.
A princesa nunca mais regressou ao Brasil.
Morreu em 1921, ainda acreditando que a coroa era menos um privilégio que um dever — um fardo que aceitara por amor à pátria.
No castelo d’Eu, conservou até o fim o retrato do pai e a lembrança de um país que, por sua própria mão, libertou.
📜 Em breve: a biografia completa
A nova edição que na próxima semana disponibilizaremos revela, em detalhes inéditos, as tramas e esperanças dessa tentativa esquecida de restauração — o último lampejo da monarquia brasileira.
Acompanhe nossas redes e descubra como a princesa viveu seus últimos anos e o pesado fardo que carregou, com a morte de seus amigos e dos esteios que poderiam libertar o Brasil das mãos golpistas.