Coluna | Daniel Lage Cultura, dominação e universalidade: reflexões… — Contrapoder — TG.ME

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Cultura, dominação e universalidade: reflexões sobre capitalismo, cultura e resistência

Recentemente, o camarada e intelectual Vijay Prashad, coordenador do Instituto Tricontinental, no qual trabalho, colocou duas questões para provocar a equipe. As questões, para ele, são centrais e atravessam o debate contemporâneo sobre cultura e política: como culturas esmagadas podem recuperar seu senso de si? E o que exigiria uma abordagem marxista diante desse problema?

Essas perguntas não são apenas teóricas. Elas tocam um dos nós mais profundos de nosso tempo: a relação entre cultura, dominação e universalidade sob o capitalismo. Não se trata apenas de identidade, nem apenas de produção simbólica, mas da própria forma como a humanidade se reconhece — ou deixa de se reconhecer — em um mundo organizado por relações sociais que lhe são estranhas.

A unificação do mundo sob o capital
Para responder a essas questões, é necessário partir das determinações materiais que estruturam a cultura no mundo contemporâneo. A história recente da humanidade é marcada por um fenômeno de proporções inéditas: a unificação global sob um único modo de produção da vida — o capitalismo.

Essa unificação não ocorreu de forma pacífica ou espontânea. Ela se deu por meio de processos violentos e estruturais que constituem a própria lógica de funcionamento do capital:

a expropriação, que separa os trabalhadores dos meios de produção e destrói formas de subsistência;
a espoliação, que implica o saque sistemático de recursos e patrimônios;
a exploração do trabalho, baseada na extração de mais-valia;
a produção de uma superpopulação relativa, marcada pela pobreza estrutural;
e a colonização e o imperialismo, que organizam a dominação global.
Esses movimentos não pertencem apenas ao passado. Eles são continuamente produzidos e reproduzidos como condição de sobrevivência do próprio sistema. Não se trata de um “erro” do capitalismo, mas de seu funcionamento normal.

Como já apontavam Marx e Engels, a burguesia cria um mundo à sua imagem e semelhança. Isso significa algo muito concreto: ela universaliza não apenas mercadorias, mas também formas de pensar, sentir e narrar a vida. O romance moderno, por exemplo, nasce junto com essa forma de sociedade — centrado no indivíduo, em sua interioridade, em sua trajetória singular num mundo de relações mediadas pelo mercado. Esse indivíduo, porém, é uma construção histórica específica, e não um dado natural da humanidade.

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Recentemente, o camarada e intelectual Vijay Prashad, coordenador do Instituto Tricontinental, no qual trabalho, colocou duas questões para provocar a equipe. As questões, para ele,
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April 8, 2026 101