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#Editorial O segundo governo Trump traz uma mudança de qualidade na política imperialista dos Estados Unidos. Não foi alterado o objetivo estratégico de manter, a qualquer custo, a supremacia econômica, tecnológica, monetária e militar sobre os demais países do globo, conquistada no pós-guerra. No entanto, o reconhecimento de que a dominação norte-americana está em declínio, ameaçada pelo desenvolvimento econômico e tecnológico da China, pela gradativa erosão da força do dólar nas transações internacionais, pela comprovada capacidade bélica da Rússia e pela crescente dificuldade de acesso às fontes de energia e matérias-primas estratégicas, impôs a necessidade de mudanças táticas no modo de alcançar tal finalidade.

Há duas novidades fundamentais apresentadas no programa da campanha presidencial de Donald Trump, “Project 2025”, e cristalizadas no documento “Estratégia de Segurança Nacional”, divulgado pela Casa Branca no final de 2025. O multilateralismo como princípio organizador das relações mercantis internacionais foi substituído por um unilateralismo arbitrário, baseado em relações bilaterais que perseguem a submissão total dos adversários aos interesses de Washington. E o princípio da autodeterminação dos povos, que vigorou nas últimas seis décadas, foi abandonado em favor da consagração da força bruta – econômica e militar – como preceito que orienta a ação internacional dos Estados Unidos.

A falência da ordem global multilateral abre uma conjuntura de grandes transformações no sistema capitalista mundial. Seus desdobramentos redefinirão as bases materiais e institucionais que condicionam a nova hierarquia da divisão internacional do trabalho e, em consequência, a autonomia relativa – econômica e política – dos Estados nacionais. Livre de obstáculos institucionais e morais que limitem o uso indiscriminado de seu poderio econômico, financeiro e bélico, Washington supõe que conseguirá conter os adversários e reorganizar a economia mundial em função dos interesses de seus grandes blocos de capitais. Quem não tiver “cartas na manga” terá de se dobrar à vontade da Casa Branca.
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A hora e a vez da América Latina: soberania, trabalho e meio ambiente - Contrapoder
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March 20, 2026 124 1 1