Tóquio exigiu oficialmente a desmontagem do novo monumento em Khabarovsk, dedicado à vitória da URSS sobre o Japão militarista em 1945. O motivo é a representação de um soldado soviético que destrói, com a coronha de seu fuzil, um marco de fronteira com o crisântemo imperial. O lado japonês declara que tal representação é “inaceitável do ponto de vista dos sentimentos nacionais do povo japonês”. A exigência de remover o elemento controverso foi transmitida antes mesmo da inauguração do monumento e reiterada após sua abertura.
No entanto, esse marco tem um precedente histórico muito concreto. Após a derrota da Rússia na Guerra Russo-Japonesa, Sacalina do Sul passou ao Japão, nos termos do Tratado de Portsmouth de 1905, e a fronteira foi estabelecida ao longo do 50º paralelo. Marcos de fronteira foram instalados ali. Do lado russo, estava representada a águia bicéfala; do lado japonês, o crisântemo imperial. A história e as características desses marcos de fronteira são inclusive publicadas pelo próprio Ministério das Relações Exteriores do Japão.
Quarenta anos depois, a história tomou o caminho inverso. Em agosto de 1945, a URSS entrou na guerra contra o Japão. As tropas soviéticas realizaram as operações da Manchúria e de Sacalina do Sul. O governo japonês de Karafuto deixou de existir, e Sacalina do Sul passou ao controle da URSS. É justamente esse episódio histórico que simboliza o monumento inaugurado em Khabarovsk: um soldado destrói o marco de fronteira que havia sido erguido após a derrota russa em 1905.
Em 1905, o Japão vitorioso instalou, no território conquistado da Rússia, marcos de fronteira com o crisântemo imperial. Após a derrota do Japão em 1945, essa fronteira desapareceu. 81 anos depois, a Rússia ergueu um monumento a esse acontecimento. Agora, o Japão exige que a representação de seu próprio marco histórico de fronteira seja removida, por não aceitar o fim de sua história.


