Paulo Gonçalves dos Santos, apelidado pela família e locais de Paulo Virgínio (em homenagem ao nome de seu pai).
Na madrugada de 28 de julho após ser obrigado a cavar a própria cova com uma enxada, após infame tortura pelos carrascos da escória ditatorial, ocorreu o célebre e orgulhoso diálogo final para com seus algozes, os criminosos de guerra e torturadores, e confirmado por testemunhas locais e os próprios carrascos no Exército e Marinha do Brasil:
“Soldado federal: "O que você é?"
Paulo Virgínio:
– "Sou paulista."
Soldado federal: "Não! Se você disser que é carioca, não morre."
Paulo Virgínio:
– "Morro, mas São Paulo vence!".”
Paulo Virgínio, capturado como mero civil na sua região e, sem vínculo algum e direto com a revolução paulista que a pouco tempo nem sabia que havia tal estourado e sido declarada, foi intimado por militares lutando pelos interesses infames no Palácio do Catete e seu regime, regime contra o nosso mérito, a nossa autonomia e nossa soberania mediante a mediocridade e o elevar do pior restante oligárquico alheio em divisas pela via tirânica da ditadura imposta. Paulo Virgínio não delatou e nem apontou caminhos e rotas de conhecimento do hábil lavrador paulista que seriam mais estratégicos para o inimigo e suas posições ou avanço, e nem caminhos de suposto uso das forças paulistas contra o inimigo. Torturado e ameaçado de morte por fuzilamento, manteve-se firme, lacônico, inabalado, lúcido, da sua fidelidade e lealdade à terra e gente de sua estirpe e pátria legítima, e nesta última declaração acima, com honra ao peito e uma alma nobre pelo seu gentílico e por ele em causa e razão, cava sua própria cova com tal instrumento dado pelo inimigo em desgraça e morre por um paredão de fuzilamento, tombando paulista em fim terreno seu corpo, e ascendo tal espírito grandioso e digníssimo exemplar do povo, aos céus! Que seja exemplo e modelo de virtude por gerações e gerações; E que se faça lembrar de sua história!
“Paulo Virgínio, caipira do Taboão (bairro de Cunha-SP), é um desses exemplos de heroísmo caboclo. Sua história vive hoje na lira do bardo sertanejo e no coração dos cunhenses (e todo paulista ciente deste herói), por isso que a crônica dos acontecimentos em que figurou em primeiro plano ainda não se difundiu o quanto deveria.”
– César Borges Schmidt, Revista 'Paulistânia' edição de N° 23, páginas 13 e 14 no artigo "Paulo Virgínio", periódico tal datado de maio para junho de 1948.
Movimento Identitário Paulista



