Quando uma representante de Luxembourg tentou localizá-los, em 1761… — Geografia Planetária 🇧🇷🇧🇷🍊 — TG.ME

Quando uma representante de Luxembourg tentou localizá-los, em 1761, encontrou o registro do primeiro e nenhum sinal que permitisse identificá-lo. A investigação morreu ali.

Os cinco desapareceram por completo.

Um ano depois dessa busca fracassada, ele publicou o Emílio, tratado cuja pretensão era o de ensinar a Europa inteira a criar seus filhos. E escreveu nele esta frase: "aquele que não pode cumprir os deveres de pai não tem o direito de sê-lo".

Acrescentou que nenhuma pobreza, nenhum trabalho, nenhum respeito humano dispensa um homem de alimentar e educar os próprios filhos, e que o pai que falta a esse dever chorará lágrimas amargas e jamais será consolado.

Ele sabia. Escreveu o manual sabendo exatamente o que tinha feito.

Nas suas Confissões, chama o episódio de sua maior falta e diz que a lembrança o perseguiu a vida toda. O problema é que escrevia com eloquência e mesmo assim entregou cinco crianças à roda, uma por uma, ao longo de seis anos. Não foi um momento de desespero. Foi um hábito.

E as desculpas que ofereceu são o retrato desse homem. Alegou miséria. Alegou que era o costume do país. Alegou que a família de Thérèse corromperia as crianças.

Alegou, sobretudo, que o Estado as criaria melhor do que ele, formando camponeses e operários honestos em vez de aventureiros.

O teórico da educação natural, do pai insubstituível, do vínculo primeiro entre a criança e quem a gerou, terceirizou os cinco para uma instituição pública com dois terços de mortalidade e chamou isso de escolha racional.

O homem que tentou ensinar o Ocidente a ouvir a criança, a respeitar sua natureza, a não sufocá-la com a autoridade dos adultos, escreveu tudo isso sobre a ausência de cinco crianças que ele próprio apagou.

Não sabemos os nomes delas. Não sabemos as datas. Não sabemos onde estão enterradas.

O Emílio é um menino imaginário. Os cinco eram reais.

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September 5, 2026 576 9