CAPÍTULO 4 — A MULHER DA FOTO
Helena não conseguiu esquecer aquela fotografia.
A mulher parecia uma versão antiga dela, como se a mansão tivesse guardado seu rosto por anos antes mesmo de conhecê-la.
Na manhã seguinte, ela procurou respostas.
Perguntou aos empregados.
Ninguém falava.
Perguntou à governanta.
A mulher apenas baixou os olhos e disse:
— Existem nomes que não devem ser repetidos nesta casa.
Aquilo confirmou tudo.
Havia um segredo.
E Helena estava presa no centro dele.
À noite, quando todos dormiam, ela voltou ao corredor proibido.
A porta continuava trancada.
Mas dessa vez havia uma fresta de luz por baixo.
Helena aproximou o ouvido.
Ouviu vozes.
— Ela não pode descobrir — disse Verônica.
— Já está desconfiando — respondeu Augusto.
— Então controle melhor a situação.
Helena prendeu a respiração.
Augusto ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois disse:
— Ela não é como as outras.
Como as outras?
O coração de Helena acelerou.
Quantas mulheres tinham vindo antes dela?
E o que havia acontecido com elas?
Antes que pudesse se afastar, a porta se abriu.
Augusto apareceu diante dela.
O olhar dele escureceu.
— Você tem o péssimo hábito de ir aonde não deve.
Helena tentou manter a calma.
— E vocês têm o hábito de esconder tudo.
Ele a segurou pelo braço, sem machucar, mas firme o suficiente para impedi-la de fugir.
— Algumas verdades destroem pessoas.
Ela encarou-o.
— Talvez eu prefira ser destruída pela verdade do que controlada por mentiras.
Pela primeira vez, Augusto pareceu abalado.
Mas foi rápido.
Logo voltou à frieza.
— Então se prepare, Helena. Porque nesta casa a verdade nunca vem sozinha.