Canal de Redaçãooo 📚: post #2441 — TG.ME

“A importância do estudo sobre educação financeira no combate à inadimplência do brasileiro”

No livro “Vidas secas”, do escritor Graciliano Ramos, o protagonista Fabiano adora gastar dinheiro com bebidas e perder a verba em jogos. Na trama, inclusive, ele não sabe fazer conta e desconhece o imposto, ficando à margem do saber econômico. Nessa lógica, a obra dialoga com a situação de uma grande parte no Brasil, pois o estudo sobre a educação financeira para coibir a inadimplência, embora seja importante, não ocorre, o que propaga um gasto demasiado em muitos “Fabianos”. Assim, é crucial analisar a notoriedade desse ensino promissor, bem como verificar o que inviabiliza a concretização dele no país.

Nesse contexto, é lógico que o estudo financeiro exerce, indiscutivelmente, uma função social por possuir, em sua essência, a formação de uma racionalidade econômica. Isso é perceptível no desenvolvimento da cognição de rentabilidade e na organização individual e monetária, contribuindo para o combate à inadimplência. Nesse viés, a Base Nacional Comum Curricular, homologada em 2017, tornou o aprendizado financeiro como uma diretriz estudantil necessária às escolas, um fato que evidencia a relevância dessa temática na vida dos cidadãos. O contato com as noções financeiras, desse modo, é realmente fundamental, uma vez que proporciona a discussão em torno de taxas de juros, inflação, impostos, favorecendo um estudo interdisciplinar em que a cultura, a economia psicológica e o trabalho são a base dessa questão. Evidentemente, o endividamento e o consumo demasiado — que foram vistos em “Vidas secas” — são atenuados na nação, e o indivíduo passa a refletir sobre o dinheiro, um impacto positivo na vida dele e na de outrem.

Ademais, é preciso reconhecer que a omissão governamental dificulta o apreço por esse assunto. Acerca disso, não adianta negar: existe uma política letárgica do Estado capaz de impulsionar o desconhecimento na população quanto às finanças. Tal ideia é notória na pesquisa na Confederação Nacional do Comércio: mais de 65% dos brasileiros, em 2020, tiveram dívidas no cartão de crédito e no cheque especial. Por conseguinte, o estudo revela que, decerto, há a necessidade de tratar de temas pertencentes à questão —endividamento, consumismo e créditos —, visto que o entendimento sobre eles é escasso. Desse modo, devido à ausência de políticas educativas, o combate à inadimplência é prejudicial e confronta o planejamento da BNCC.

É urgente, portanto, valorizar essa pauta relevante, a fim de amenizar as dívidas dos sujeitos. Nesse raciocínio, o Ministério da Educação deve massificar o estudo financeiro na sociedade, com a inserção, nos ensinos Fundamental e Médio, de aulas e de debates relativos ao consumo e ao dinheiro. Isso ocorrerá por meio da criação de secretarias especializadas, fazendo uma pesquisa em relação a dados estatísticos, tal como o da CNC, a respeito do endividamento. Essa medida irá melhorar o aprendizado do povo, além de formar uma cosmovisão sagaz e econômica, com o intuito de ampliar a qualidade de vida das pessoas e propor um plano monetário objetivo. Afinal, quem organiza a própria vida é o indivíduo, e não as bebidas e os jogos que Fabiano tanto almejava.
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March 29, 2026 2.5K 4